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	<title>Poemas e Poesias &#187; Fernando Pessoa</title>
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		<title>Contemplo o lago mudo</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 17:59:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Poemas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Fernando Pessoa]]></category>
		<category><![CDATA[Fernando Pessoa Poemas]]></category>
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		<description><![CDATA[Contemplo o lago mudo
Que uma brisa estremece.
Não sei se penso em tudo
Ou se tudo me esquece.
O lago nada me diz,
Não sinto a brisa mexê-lo
Não sei se sou feliz
Nem se desejo sê-lo. 
Trêmulos vincos risonhos
Na água adormecida.
Por que fiz eu dos sonhos
A minha única vida? 
Fernando Pessoa
Poemas:Reflexão dia das mãesOs teus pésPoema dia das mãesFrases lindas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Contemplo o lago mudo<br />
Que uma brisa estremece.<br />
Não sei se penso em tudo<br />
Ou se tudo me esquece.<br />
O lago nada me diz,<br />
Não sinto a brisa mexê-lo<br />
Não sei se sou feliz<br />
Nem se desejo sê-lo. </p>
<p>Trêmulos vincos risonhos<br />
Na água adormecida.<br />
Por que fiz eu dos sonhos<br />
A minha única vida? </p>
<p>Fernando Pessoa</p>
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		<title>Encostei-me Para Trás Na Cadeira do Convés</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 17:57:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Poemas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Fernando Pessoa]]></category>
		<category><![CDATA[Fernando Pessoa Poemas]]></category>
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		<description><![CDATA[Encostei-me para trás na cadeira de convés e fechei os olhos,
E o meu destino apareceu-me na alma como um precipício.
A minha vida passada misturou-se com a futura,
E houve no meio um ruído do salão de fumo,
Onde, aos meus ouvidos, acabara a partida de xadrez. 
Ah, balouçado
Na sensação das ondas,
Ah, embalado
Na ideia tão confortável de hoje [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Encostei-me para trás na cadeira de convés e fechei os olhos,<br />
E o meu destino apareceu-me na alma como um precipício.<br />
A minha vida passada misturou-se com a futura,<br />
E houve no meio um ruído do salão de fumo,<br />
Onde, aos meus ouvidos, acabara a partida de xadrez. </p>
<p>Ah, balouçado<br />
Na sensação das ondas,<br />
Ah, embalado<br />
Na ideia tão confortável de hoje ainda não ser amanhã,<br />
De pelo menos neste momento não ter responsabilidades nenhumas,<br />
De não ter personalidade propriamente, mas sentir-me ali,<br />
Em cima da cadeira como um livro que a sueca ali deixasse. </p>
<p>Ah, afundado<br />
Num torpor da imaginação, sem dúvida um pouco sono,<br />
Irrequieto tão sossegadamente,<br />
Tão análogo de repente à criança que fui outrora<br />
Quando brincava na quinta e não sabia álgebra,<br />
Nem as outras álgebras com x e y&#8217;s de sentimento. </p>
<p>Ah, todo eu anseio<br />
Por esse momento sem importância nenhuma<br />
Na minha vida,<br />
Ah, todo eu anseio por esse momento, como por outros análogos Â—<br />
Aqueles momentos em que não tive importância nenhuma,<br />
Aqueles em que compreendi todo o vácuo da existência sem inteligência para o<br />
Compreender<br />
E havia luar e mar e a solidão, ó Álvaro.</p>
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		<title>Durmo, cheio de nada, e amanhã</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 17:55:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Poemas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Fernando Pessoa]]></category>
		<category><![CDATA[Fernando Pessoa Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Poesias]]></category>

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		<description><![CDATA[Durmo, cheio de nada, e amanhã
é, em meu coração,
Qualquer coisa sem ser, pública e vã
Dada a um público vão.
O sono! este mistério entre dois dias
Que traz ao que não dorme
À terra que de aqui visões nuas, vazias,
Num outro mundo enorme.
O sono! que cansaço me vem dar
O que não mais me traz
Que uma onda lenta, sempre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Durmo, cheio de nada, e amanhã<br />
é, em meu coração,<br />
Qualquer coisa sem ser, pública e vã<br />
Dada a um público vão.<br />
O sono! este mistério entre dois dias<br />
Que traz ao que não dorme<br />
À terra que de aqui visões nuas, vazias,<br />
Num outro mundo enorme.</p>
<p>O sono! que cansaço me vem dar<br />
O que não mais me traz<br />
Que uma onda lenta, sempre a ressacar,<br />
Sobre o que a vida faz ?!</p>
<p>Fernando Pessoa</p>
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